29.11.16

Onde acampar

Procurando um Caminho

Como grande parte de vocês, sendo entusiastas do mundo digital, ninguém resiste testar todos os apps de viagem possíveis.  Acho que a tecnologia aplicada a esta área abre milhares de possibilidades e facilita muito a nossa vida. No entanto, essa pequena e pouco científica experiência off-line faz lembrar que alguns hábitos "vintage" são extremamente enriquecedores para viajantes.

Pedir informação (a seres humanos)

O senhor sabe como eu faço para chegar no Camping tal? Este ônibus passa no Centro da Cidade? Essas e outras questões geográficas, hoje em dia, são solucionadas com dois cliques. Mas, pense bem: às vezes, pedir informação é uns dos poucos elos de conexão com as pessoas do lugar. E elas podem levar a um “De onde vocês são? Conhecem também o Camping do Sossego? Sabiam que está rolando uma excursão de ecoturismo ótima por lá?”. Nada substitui o contato humano. Precisamos fazer força para lembrar disso.

Usando o velho mapa de papel

O GPS está deixando a gente mais burro e destreinado no exercício da orientação. Ao depender exclusivamente de Google Maps e afins para encontrar os caminhos em uma cidade que não conhecemos, quase sempre voltamos para casa com a mesma falta de noção de direção com a qual desembarcamos. Somos  capazes de repetir o mesmo caminho do camping até a rodoviária obedecendo vozes eletrônicas "N" vezes e jamais decorar o caminho. Por outro lado, quando se dão o trabalho de olhar um bom e velho mapa, ficam com o traçado daquele lugar fixado na memória por anos a fio e, em um ou dois dias, já se sentem mais em casa. 

Perder-se

Outra vantagem de desapegar dos aplicativos de GPS é simplesmente andar sem rumo. Rondar. Improvisar. Perder-se. É nas quebradas do rumo incerto que a gente acaba encontrando aquele boteco incrível, uma lojinha minúscula e interessante, um restaurantezinho aonde os turistas não chegam. Não é?

Usar o instinto para encontrar um camping/lugares

A delícia número um é: nada de “fuçar” camping. Zero lição de casa. Praticamente nenhum planejamento. Qual o camping do momento segundo o APP X? Qual o camping que o blogueiro fulano de tal disse que você precisa conhecer antes de morrer? Quem é o número um do TripAdvisor? Que se explodam! Seguindo nossos bons e velhos instintos, acabamos acampando e curtindo (muito bem) em vários lugares dos quais nunca tínhamos ouvido falar. É um belo exercício de desapego para quem, por questões profissionais (e vício pessoal), sempre ficam muito focadas em procurar os melhores lugares, coletar dicas, testar campings e lugares  novos que estão dando o que falar. Definitivamente, os achados também se fazem ao acaso, e até bem melhores.

Pedir dicas para os locais (ao vivo)

Além do modo “roleta russa”, também é bom apostar por simplesmente perguntar para a turminha da mesa do lado ou ao garçom: “Ei, onde vocês vão tomar uma depois do jantar? Conhecem a região? Recomendam algum lugar?”. Talvez esse comportamento seja um pouco brega em lugares onde as pessoas são superfechadas (não sei se teria as manhas de fazer isso numa região muito interiorana, por exemplo), mas  temos certeza que com jeito e bom jogo de cintura, a taxa de sucesso vai ser de 100%. Afinal de contas, perguntar não ofende.

No Brasil existem inúmeras opções; país de clima tropical, de lugares inesquecíveis e maravilhosos, onde a natureza ainda pode ser admirada em toda a sua forma e plenitude, e de recantos intactos, é praticamente impossível não ter um lugar para por uma barraca, então todo lugar para um acampamento natural (selvagem) é possível, além de ser muito tranquilo, bom e maravilhoso.

Para os que pensam que isso não existe; todo lugar é lugar para um camping selvagem, até mesmo em todos os lugares que mencionamos neste blog - Onde Acampar - É só estudar cuidadosamente a localidade, se informar sobre tudo bem direito, e pronto, pode acampar! sem enumerar aqui locais, bairros ou cidade.
Não existe (digo por experiência) lugares em que é Proibido Acampar! é isso mesmo; tudo é conversa de conservacionistas influenciados pelos altos comandos dos campings organizados e grandes empresas no setor imobiliário (e endinheirados).

Existe sim as placas de proibido acampar; mas elas não duram por muito tempo, só em casos muito especiais, como; preservar uma espécie, ex: tartaruga marinha; uma área contaminada por radiações (aqui não há); uma reserva biológica, como "uma parte" do Parque Estadual da Ilha Grande; ou uma área já demarcada para uma construção de condomínios ou hotéis luxuosos.

Ao contrário do que dizem, pode acampar sim, sem receios ou medo; eu mesmo acampei em lugares diversos; e sempre vem alguém dizendo ou disseram que não podia acampar ali.
Depois de vários acampamentos, nunca aconteceu imprevistos como citado; e se já aconteceu com alguém, pode ter sido por acidente de percurso. Pode acontecer em certos casos muito especiais.

Acontece casos "hilários"; planejei um acampamento, um amigo disse que colocaram uma placa de proibição da prefeitura local.
Pagando pra ver, encaminhei sem receio, tranquilamente, lá chegando não vi placa nenhuma, e nem moradores do local viram.
Isso pode ser boato inventado por alguns invejosos (acho), ou insultados por estarem trancados em condomínio ou camping organizado luxuoso, e verem o riso estampado no rosto de simples campistas com suas famílias; resumindo, fiquei por 10 dias com várias recordações, alem de boas risadas.

Porém existe muitos caminhos "macetes" que não podem ser descartados, é claro, que nós campistas precisamos a todo custo saber e aprender alguns desses truques; é só usar o bom senso e raciocínio lógico e prático.
Um exemplo simples: Numa praia (qualquer uma) as pessoas de bem curtem a vontade, com guarda-sol, banquinho, freezer, brinquedos, etc.
Repentinamente surge um ônibus excursão com pessoas nada agradáveis; rádios altíssimos, pandeiros, churrascos duvidosos, farofa, palavrões, frescobol, fora alguns ladrões infiltrados; isso chama popularmente de farofeiros. E isso não é bom.

É o caso dos (vadios) mal-campistas; particularmente chamo atenção de alguns sobre esse comportamento, que para mim são baderneiros dizendo-se campistas; aí você comenta com toda razão, que isso não acontece em um camping organizado.

Acontece sim; é como no caso em uma praia deserta; como em outro lugar qualquer, num camping organizado vira caso de polícia (o campista não quer ser molestado), então é incômodo para todos, especialmente crianças, sendo até casos de campistas nunca mais voltarem para aquele camping.

Em um camping selvagem é pouco diferente; as pessoas estão no mesmo barco, ali juntas, tendo que compartilhar quase tudo, e quem sai dos trilhos é envolvido rapidamente para uma conversa franca, até chegar em acordo; na maioria das vezes acaba tudo bem, sem polícia, sem violência, tudo na paz.
Por sorte nunca tivemos contenda dessas; o que vale mais é comunicação, a maioria (quase todos) tem plena consciência disso; fora alguns casos facilmente descartáveis.

Quantos mal-feitores, bandidos e contraventores andam soltos por aí, e a polícia pouco faz, alegando falta de contingente, equipamentos, etc.
Não tem cabimento que área como o Parque Estadual da Ilha Grande com seus imensos 5600ha, sendo destinado 1/3 para a Reserva Biológica da Praia do Sul, que também muito extensa, uma dúzia de 3 ou 4 agentes do parque vão dar conta.
Para  patrulhar uma área como essa, teria que mobilizar um grande contingente, no qual seria inviável.
Pode sim, em áreas de maior movimento; e também, não se incomodariam em procurar uma barraca no meio de tamanha vastidão.
E mesmo se for (que é raro), não encontrar nada, se encontrar você já se foi há muito.
O camping selvagem existe e está aí, e aumentando assustadoramente, quer queira quer não, só que as pessoas ainda não assimilaram e não se deram conta disso.

Você pode acampar sim, em qualquer lugar que goste e achar bonito, só basta pesquisar e perguntar; coisa importante é o número de indivíduos nesta empreitada, apesar não ser muito conveniente, é bom estudar prós e  contras, se for um acampamento selvagem.
No caso, por exemplo: duas famílias em camping selvagem, alguns cuidados devem ser tomados, não no sentido de alguma proibição (raro em lugares longínquos) mas ficar superatento aos perigos em acampamento desse tipo, como fica ressaltado na postagem.. Proteção e segurança 

Outros tipos de camping, que não são literalmente selvagem, é um tipo de ajuntamento ou aglomerado de pessoas com um mesmo intuito, quando um grande acumulado de barracas numa área determinada se reúnem, pouco a pouco.
Porque isso acontece, como algo (é mistério), que pode chegar até umas 200 barracas, principalmente Final de Ano e Carnaval.
Acontece em acampamentos muito parecidos (Angra dos Reis) de umas 50 barracas; aparecer de surpresa a Polícia Militar seguida pela Federal e a Guarda Costeira.
Procurando por pessoas de denúncias de drogas no local. Fazem algumas revistas, não encontrando nada, notam que todo acampamento é familiar, pedem sinceras desculpas educadíssimas, e desejam um bom acampamento.
Quer saber mais o que é camping selvagem?
Acesse essa postagem.. As regras do camping selvagem 

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