29.11.16

Observação de aves

Ecoturismo - Observação de aves

A observação de aves é o passeio de ecoturismo que tem como objetivo a observação das aves em seu habitat natural, sem interferir no seu comportamento ou no seu ambiente.


A ornitologia tem por objetivo promover o amor aos pássaros e aves e trabalhar pela sua proteção. 
Tal roteiro constitui uma forma legítima de exploração ecoturística das áreas naturais, visto ser uma prática de baixo impacto. O público que procura este tipo de atividade é um público específico que possui alto grau de consciência ambiental, estando atento e adotando seriamente as práticas de mínimo impacto em ambientes naturais.

A prática de observação de aves, hobby antigo na Europa e nos Estados Unidos, vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Não existem estatísticas oficiais, mas o WikiAves – site de conteúdo interativo direcionado à comunidade brasileira de observadores de aves – tem 17.452 usuários cadastrados, dos quais muitos são praticantes dessa atividade. A maioria deles está concentrada em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Ser ou tornar-se um observador de aves ou birdwatcher – cuja data nacional é comemorada em 28 de abril – é relativamente simples. A atividade pode ser realizada por todas as pessoas, independente de suas limitações. Para iniciar, é preciso ter interesse, vontade e alguma dedicação.

“Eu costumo dizer que, para ser um observador de aves, basta ser um apaixonado pela natureza e pela sua fauna”, diz Luciano Breves, birdwatcher assumido e fundador do projeto Ornithos, portal que divulga imagens ao vivo de aves, captadas diretamente do habitat das espécies. Segundo Breves, o desafio de observar o maior número de espécies exerce nos praticantes o mesmo fascínio de colecionadores. “É como montar um álbum de figurinhas, em que cada novo exemplar avistado é comemorado”, compara.

Locais para observação

Lugares que possuem vocação natural para a exploração dessa atividade são áreas naturais em bom estado de conservação, com boa infraestrutura receptiva e que já possuam catalogadas as espécies de aves que ocorrem na área. Em geral, os roteiro de observação de aves são desenvolvidos primordialmente em trilhas e horários distintos dos utilizados no programa turístico normal, e são acompanhados de guia especializado.

Em território brasileiro

No Sudeste do Brasil, próximo ao Rio de Janeiro, na reserva florestal de Macaé de Cima, podem ser vistas espécies de pássaros quase extintas no resto do Brasil, pois esta reserva representa 70% de mata verde existente no sudeste, atrás em importância apenas da floresta amazônica.
Também nos Sudeste, entre Rio e São Paulo, encontra-se outra região apropriada para esta atividade. Devido a extensão e preservação do local, a Serra da Bocaina possui uma lista muito grande de espécie de aves, dos mais variados tamanhos, formas, cores e cantos.
Exemplo: Murucututu-de-barriga-amarela, Andorinhão-do-temporal, Maria-preta-de-bico-azulado, entre outros.
Outro local de grande interesse para a prática desta atividade é em Petrópolis-RJ. Sua lista já conta com mais de 190 espécies distintas de aves, com destaque para a Choca da Taquara (Biatas nigropectus) e o Azulão (Cyanocompsa brissonii).


Passarinhando - Birdwatching

Espécies da localidade

Informe-se sobre as espécies de aves que habitam o local que você escolheu para passarinhar.
Pesquise sobre o comportamento de cada família ou gênero. Existem vários guias especializados que podem ser usados para consulta. Ir ao lugar certo e saber o que procurar é o primeiro passo para uma boa passarinhada.

Use trajes adequados

Se você for entrar em uma área florestal, deve usar uma roupa discreta e, de preferência, camuflada com o ambiente para evitar que a ave se assuste e fuja. Use tons mais escuros de verde para mata e cerradão e tons mais claros de verde ou cáqui para cerrados baixos e campos. De modo geral, sua chance de ver e fotografar aves em vida livre aumenta se o seu disfarce é bom.

Fique em silêncio

O silêncio e uma caminhada silenciosa são fundamentais para não espantar as aves. Limite a conversa ao mínimo essencial e pise ‘leve’, sobretudo se a trilha está coberta de folhas secas. Se for preciso afastar ramos com as mãos, faça isso devagar. Quando encontrá-las, não se aproxime muito para não assustá-las.

Não se aproxime muito

Chegar perto demais de uma ave silvestre pode oferecer risco, para você e para ela. Há chance de transmissão de doenças (de você para a ave e vice-versa) e de acidentes (arranhões ou bicadas). Evite, sobretudo, tocar filhotes, mesmo quando parecem abandonados. Muitos filhotes ficam sozinhos enquanto os pais buscam alimento e sua interferência gera estresse.

Preste atenção aos horários

As primeiras horas da manhã e o final da tarde são os horários de maior atividade das aves. Mas algumas espécies têm hábitos diferenciados, portanto, procure saber os horários e as épocas do ano de maior atividade de cada uma. Corujas, urutaus, bacuraus… só poderão ser observadas durante a noite.
Use um equipamento de observação
O uso de equipamentos se torna essencial para uma boa observação:

Binóculos

O mais básico deles é o binóculo, Indispensável para uma boa observação. Escolha um modelo com aumento de pelo menos 8 a 10 vezes e boa luminosidade. Geralmente são os binóculos com lentes de diâmetro maior, que também são mais fáceis de focar.

Isso ajuda muito na hora de encontrar a ave em meio a folhagens antes que ela voe. Existem binóculos com dispositivo para reduzir vibrações, o que é interessante, porém custam mais caro. Confira ainda o peso dos vários modelos e prefira o mais leve. Depois de vários minutos segurando os binóculos na altura dos olhos ou algumas horas levando-os pendurados no pescoço, o peso começa a fazer diferença.

Play-back

Também pode-se usar um play-back, a melhor opção é um equipamento de MP3 que grave e reproduza sons com clareza. É mais leve, tão eficiente quanto o velho gravador de fita cassete, e suficiente para fins de observação. Boa parte dos observadores faz suas próprias gravações e as reproduz de imediato. Mas também é possível adquirir CDs com cantos de diversas aves, como a edição Vozes da Amazônia Brasileira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com 340 espécies de aves em 4 CDs. Grandes livrarias e lojas especializadas em artigos para biólogos têm algumas opções de CDs à venda, caso da Livraria Cultura. 

Câmeras fotográficas

Outra alternativa é utilizar câmeras fotográficas. A popularização das câmeras digitais também aliviou o peso do equipamento de campo dos observadores, multiplicando as boas fotos. Se você pretende comprar uma câmera principalmente para fotografar as aves observadas, prefira uma com mais de 5 Megapixels (e a configure em alta resolução). As lentes com zoom são mais práticas, pois você ajusta rapidamente ao lugar em que a ave aparece: mais próxima ou mais distante.

A opção grande angular (primeiro número do zoom) não precisa ser menor do que 28 mm. Já a opção teleobjetiva (o segundo número do zoom) deve ser superior a 400 mm, quanto mais, melhor. Cuidado com o zoom digital, pois o resultado nem sempre é bom. Opte por lentes com zoom real superior a 400 mm. E atenção ao detalhe da luminosidade da lente: prefira as mais luminosas (pelo menos 3.2) para não precisar recorrer muito ao flash. 

Os modelos que permitem tanto focagem automática como manual são mais indicados. Embora o foco automático ajude muito quando a ave está em movimento, o foco manual é essencial para uma boa foto em ambientes com vegetação densa. Freqüentemente, se há detalhes demais em quadro, a câmera automática não consegue ‘decidir’ o que deve ser focado e você pode acabar só com as folhas nítidas e a ave desfocada. Se puder optar, prefira as câmeras SLR, que permitem visualização através da própria lente e, portanto, mostram fielmente o enquadramento que sairá na foto. Essas câmeras, mesmo digitais, ainda permitem trocar as lentes e optar por diversos modos de exposição.

Tem dúvidas sobre comprar uma boa câmera? Nas melhores lojas você encontra; um bom exemplo é esse: 

Câmera de Ação Gopro Hero 4 Silver 12 MP Tela LCD Touchscreen Prata.



Flash – A maioria das câmeras digitais já vem com flash acoplado e dá a opção de acioná-lo como contraluz, ou seja, para compensar a luminosidade do céu e mostrar a ave pousada no alto de uma árvore. Assim você consegue mais detalhes do que a simples silhueta da ave e a reprodução mais fiel do colorido da plumagem. 

Se a observação for de espécies de mata densa, no entanto, o flash da câmera precisa do reforço de uma luz mais potente, capaz de iluminar aves a mais de 10 metros. Confira, portanto, se sua câmera tem saída para flash adicional, que precisa ser acoplado para disparar sincronizado com a foto. Na escolha do flash, verifique o alcance da luz (pelo menos até 20 metros) e as possibilidades de difusão e mudança do ângulo. Em muitos casos, é bom não dirigir a luz do flash diretamente para a ave, mas iluminar o ambiente, de modo a não assustá-la logo ao primeiro disparo.

Cuidado com comidas prontas

Em áreas naturais, acostumar aves silvestres com alimentação artificial é facilitar sua captura por traficantes e caçadores. Ao invés disso, ajude a conservar a área e sua vegetação, para que as aves tirem delas tudo o que precisam, incluindo água. Se puder, plante árvores de flores e frutos ao invés de oferecer alimentos prontos para consumo. Em áreas urbanas ou urbanizadas, comedouros e bebedouros são bem-vindos, pois complementam a oferta de alimentos naturais, geralmente insuficiente.

Rio - Paraíso de observação de aves

Os birdwatchers cariocas, de fato, podem se considerar privilegiados. 
Situada na Mata Atlântica, a cidade tem mais de 630 espécies de aves catalogadas — é quase o mesmo número que os Estados Unidos abrigam em todo o seu território!
Há pontos de observação em meio ao caos urbano, como o Jardim Botânico e a Floresta da Tijuca, excelentes para aves florestais. 

Já para aves marinhas e limícolas, aquelas que gostam das áreas úmidas, destaca-se a região de Guaratiba, com seus brejos, áreas alagadas e manguezais. 
O Rio registra quase metade das 1.800 espécies do território brasileiro. O Brasil, aliás, é o segundo em diversidade de aves no planeta, atrás apenas da Colômbia.
Apesar das vantagens, o interesse pelo birdwatching, contudo, ainda é recente por aqui. Se no final do século XIX os americanos já se reuniam em clubes especializados, o primeiro Clube de Observadores de Aves brasileiro foi inaugurado apenas em 1974, no Rio Grande do Sul (a seção do Rio, criada por iniciativa do fotógrafo de natureza Luiz Claudio Marigo, teve que esperar até 1985).
Nos últimos anos, a fotografia digital e a cultura de compartilhamento da internet revolucionou a prática. Agora, há muito mais facilidade de registrar o que se vê. 
Tangará - um símbolo

Se antigamente o observador original era aquele que não se separava de seu binóculo e caderno de anotações, hoje observar e fotografar se misturam. Fóruns virtuais e sites colaborativos, por sua vez, permitem uma troca constante entre observadores amadores e ornitólogos profissionais.
Entre a comunidade dos birdwatchers, o site wikiaves.com.br, uma enciclopédia virtual e interativa dedicada exclusivamente aos pássaros, é o preferido para postar fotos. Já o xeno-canto.org armazena colaborações de outra atividade comum entre os adeptos: a gravação de cantos de diferentes espécies. Nessa área, a tecnologia também avançou, já que os gravadores atuais são menores e mais práticos.

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